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Cantil de lágrimas

Tanta gente chora por aí afora! Mais as mulheres do que os homens, mais as crianças do que as mulheres. O salmista se diz cansado de chorar e informa que todas as noites a sua cama se molha de lágrimas e o seu choro encharca o travesseiro (Sl 6.6). 

A tradução de Almeida é mais dramática: “Todas as noites faço nadar o meu leito, de minhas lágrimas o alago”. Exagerada também é a paráfrase de Eugene Peterson: “Minha cama está inundada, há quarenta dias e quarenta noites, no dilúvio das minhas lágrimas”.

Em outro salmo, o mesmo Davi usa outra metáfora para falar de seu choro. O que ele diz é de uma beleza incrível: “[Deus] contou e recolheu num jarro todas as minhas lágrimas e anotou cada lágrima no seu livro” (Sl 56.8, NBV).


Quantas gotas de lágrimas são necessárias para encher um jarro, um odre, um cantil? Quantas páginas são necessárias para registrar cada momento de choro, cada lágrima derramada por uma pessoa emocionalmente abalada? A figura de linguagem do salmista tem o propósito de mostrar a simpatia de Deus pela tristeza humana.


A metáfora deixa de ser metáfora na experiência de muitas pessoas. Ao tomar conhecimento de que sua enfermidade era incurável e que morreria em poucos dias, o rei Ezequias chorou amargamente. Tão amargamente que Deus se comoveu e mandou o profeta dizer-lhe: “Eu, o Senhor, o Deus do seu antepassado Davi, escutei a sua oração e “vi as suas lágrimas”. Eu vou curá-lo, e daqui a três dias você irá até o Templo. Vou deixar que você viva mais quinze anos” (2Rs 20.5-6; Is 38.4-5).

Os que choram -- o homem, a mulher, a criança, o idoso -- precisam saber que Deus não é insensível às suas lágrimas. Ele toma conhecimento delas, ele observa atentamente cada lágrima, ele as recolhe num cantil e as registra num livro, de acordo com a metáfora do Salmo 56.

O Evangelho de João anota que Jesus, “ao ver” Maria e Marta chorando por causa da morte do irmão, “ficou muito comovido e aflito” e também chorou (Jo 11.33-35). O Senhor chorou não por causa de Lázaro, mas por causa das lágrimas de suas duas irmãs.

Os diversos cantis de lágrimas, um dia, serão derramados e se misturarão com a água salgada das profundezas do mar. Está escrito, está prometido, está garantido: “O Senhor Deus acabará para sempre com a morte. Ele enxugará as lágrimas dos olhos de todos” (Is 25.8).


Essa profecia aparece mais uma vez numa das últimas páginas da Bíblia: “Ele enxugará dos olhos deles [os seres humanos] todas as lágrimas. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor. As coisas velhas já passaram” (Ap 21.4).


O que talvez fique na memória coletiva dos salvos lá na eternidade é aquela cena de encantadora beleza que mostra o gesto totalmente original de uma mulher de má fama perdoada por Jesus e por ele restaurada. Ela chorava e suas lágrimas molhavam os pés de Jesus, e, para enxugá-las, ela não usou lenço algum, toalha alguma, nem as abas de seu manto, mas os próprios cabelos (Lc 7.38)!

fonte: Ultimato Ed.351
(ultimato/revista/artigos/351/cantil-de-lagrimas)

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